Defesa Civil diz que kits de emergência são preventivos e que não há razões para pânico

A Defesa Civil Nacional fez uma nova postagem nas redes sociais neste domingo (8) afirmando que falar de kit de emergência não é sinal de perigo, mas “sinal de que prevenir faz parte da rotina”.

A publicação foi feita dois dias depois que o órgão compartilhou instruções de como preparar um kit de emergência para “desastres de grande proporções”.

Na nova publicação, a Defesa Civil nacional afirma que o perfil posta diariamente sobre prevenção, e que publicou conteúdos sobre kits de emergência nos dias 16 de março e 3 de abril. “Orientações são postadas sempre que necessário”, diz uma das imagens do post. “Informação e preparação trazem mais tranquilidade”.

Já na postagem anterior, a Defesa Civil deu instruções sobre como preparar um kit de emergência. “Em situações de grandes desastres, as equipes de socorro podem levar mais tempo para chegar. Por isso, é importante estar preparado para as primeiras 72 horas”, diz parte da postagem. O órgão deu orientação para o público reunir água potável, comida não perecível, utensílios e itens de primeiros socorros e de higiene, roupas, eletrônicos como rádio e lanternas, documentos pessoas e sacolas plásticas avulsas.

A publicação chamou atenção e as pessoas reagiram nas redes. Na semana passada, diferentes países europeus como Reino Unido, Dinamarca, Alemanha, Noruega e França orientaram seus cidadãos a manter reservas de itens essenciais em casa para se sustentar por até 72 horas. O Reino Unido, por exemplo, lançou a camapanha “Be Ready” (Esteja preparado), que foi alvo de desinformação nas redes sociais.

G1

‘Caso Master do Paraguai’: entenda a crise de banco que derrubou o presidente Santiago Peña

Em meio à crise provocada pelo colapso do Ueno Bank, o Paraguai teve um dia conturbado nesta sexta-feira (6/11). Apór sofrer um impeachment do cargo de presidente Santiago Peña foi preso em sua casa, na capital, Assunção.

Agentes da Polícia Nacional do Paraguai cumpriram a ordem de prisão domiciliar emitida pelo Ministério Público no âmbito da investigação sobre o banco, segundo informou o jornal ABC Color.

A prisão coincidiu com a cerimônia em que Pedro Alliana, até ontem vice-presidente, prestava juramento perante o Congresso para suceder ao presidente destituído. Ele deve ficar no cargo até agosto de 2028, quando acaba o mandato.

Mais cedo na sexta-feira, o Senado aprovou por unanimidade o impeachment de Peña, com 44 votos favoráveis e uma ausência.

O agora ex-presidente havia renunciado ao cargo na quinta-feira (3/11), mas o Congresso não aceitou a renúncia e decidiu prosseguir com o processo de cassação.

Antes do impeachment ser aprovado, um dos advogados de Peña, Adolfo Ferreiro, havia afirmado que em caso de destituição, a defesa iria recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Os advogados do político reclamam que houve pouco tempo para preparar a defesa e questionam a garantia de direitos concedida ao longo do processo.

Opositores e críticos do presidente defendiam o impeachment, para que Peña pudesse responder eventualmente a ações judiciais sem o foro privilegiado.

A própria sigla governista, o Partido Colorado, anunciou apoio ao processo de impeachment.

Peña, um dos expoentes da nova direita na América Latina, é acusado pela oposição de conflito de interesses, uso indevido de fundos públicos e encobrimento de irregularidades relacionadas ao banco.

O caso tem como origem o colapso de uma instituição que cresceu rapidamente e chegou a ser apresentada como um dos grandes casos de sucesso do sistema financeiro paraguaio.

Diante das semelhantes, a crise do Ueno Bank passou a ser comparada, no Brasil, à do Banco Master, liquidado pelo Banco Central brasileiro em novembro de 2025 e que levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.

Mas para entender como o banco chegou a essa situação — e por que a crise atingiu o governo — é preciso voltar alguns anos.

Quando o Ueno Bank comemorou sua transformação em banco, no fim de 2023, seus dirigentes se orgulhavam dos números da instituição.

Eles afirmavam que o banco, que era relativamente novo, já tinha mais de 500 mil clientes e havia conseguido incluir no sistema financeiro cerca de 140 mil pessoas que antes não tinham conta bancária.

Era um feito expressivo para uma instituição que, apenas dois anos antes, era uma pequena financeira especializada em tecnologia.

“Isso está apenas começando”, declarou Juan Manuel Gustale, então presidente do Ueno Bank, durante as comemorações na Ueno SND Arena, em Assunção.

Menos de três anos depois daquela declaração, a história tomou um rumo inesperado.

Na terça-feira (3/11), o Banco Central do Paraguai (BCP) anunciou o início de um processo de dissolução do Ueno Bank, após constatar que seu índice de solvência — indicador que mede a capacidade do banco de absorver perdas — havia caído para menos da metade do mínimo exigido.

A notícia surpreendeu muita gente. Poucas semanas antes da intervenção, o Ueno Bank ainda era apresentado como um dos grandes casos de sucesso do sistema financeiro paraguaio.

Em setembro, a instituição afirmava ter mais de 3 milhões de clientes em um país de 6,5 milhões de habitantes — o equivalente a quase dois em cada três paraguaios.

O banco também dizia processar mais de 3 milhões de transações por dia.

A situação abalou não apenas o setor financeiro do país, mas também os mais altos escalões do poder político. Tanto o presidente Santiago Peña quanto o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo Spalding, passaram a ser questionados por vínculos antigos com o banco e seu grupo empresarial.

A crise do banco paraguaio ganhou novas proporções na quarta-feira (4/11), quando parlamentares da oposição intensificaram as tentativas de destituir Peña, a quem responsabilizam pelo colapso do Ueno Bank, que deixou milhões de clientes sem acesso às suas contas.

Os opositores acusam o presidente de conflito de interesses, de permitir o uso indevido de fundos de pensão e de encobrir irregularidades na condução da crise bancária.

Em um revés para o atual presidente, Horacio Cartes, ex-presidente do Paraguai e líder do governista Partido Colorado, anunciou que a legenda apoiaria o impeachment.

“Não estaremos do lado do desvio de recursos públicos, privados e dos fundos dos aposentados. Precisamos pensar nas pessoas e nos valores que defendemos no Partido Colorado. Apoiamos o impeachment do presidente da República, Santiago Peña, para restabelecer a institucionalidade do país”, afirmou em comunicado.

Peña foi eleito em abril 2023 para presidente do Paraguai. Até 2015, ele era um estranho na política nacional. Economista de formação, ele fez parte do Banco Central do Paraguai durante uma década, primeiro na área de Pesquisas Econômicas e depois como diretor.

De direita, é alinhado ao presidente Donald Trump e já fez elogios públicos a ele.

Bancadas da oposição, com cartazes que trazem a mensagem: “Impeachment já!”.
Crédito,Getty Images
Legenda da foto,O Congresso Nacional do Paraguai realizou uma sessão extraordinária para discutir um possível processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. Nas bancadas da oposição, cartazes traziam a mensagem: “Impeachment já!”
Orkun Saka, professor e pesquisador de economia financeira da City St George’s, da Universidade de Londres, afirma que o caso do Ueno Bank vai muito além da má gestão de uma instituição financeira.

“Sejamos claros sobre o que aconteceu. Um banco pertencente a um único conglomerado empresarial acabou concentrando as economias da maioria dos adultos do país, além de centenas de milhões de dólares em fundos de pensão”, disse à BBC Mundo.

Saka afirma que o Banco Central já havia alertado, meses antes do colapso, para os “empréstimos excessivos concedidos pelo banco a empresas ligadas a seus próprios controladores”.

“Mesmo assim, os recursos públicos continuaram chegando. Essa não é simplesmente a história de um banco mal administrado. É um sistema em que o banco, o órgão regulador e a Presidência estavam tão estreitamente ligados que nenhum deles parecia capaz de impor limites aos outros”, acrescenta.

A BBC Mundo procurou a Presidência do Paraguai para pedir um posicionamento sobre o caso, mas não havia recebido resposta até a publicação desta reportagem.

‘Caso Master do Paraguai’
O caso do Ueno Bank vem sendo comparado, no Brasil, ao do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central brasileiro em novembro de 2025.

Nos dois episódios, bancos digitais que cresceram rapidamente em poucos anos atraíram grandes volumes de recursos e acabaram no centro de questionamentos sobre operações financeiras, investimentos de fundos de previdência e relações com o poder público.

Além disso, foram liquidados por insuficiência de capital para honrar seus compromissos.

As estratégias dos bancos para conquistar clientes, porém, eram diferentes: enquanto o Ueno apostou na abertura digital de contas, em descontos e na devolução de parte do valor das compras, o Master atraiu investidores com CDBs que ofereciam remuneração muito acima da média do mercado.

Outra semelhança está no envolvimento de recursos ligados a sistemas de previdência. No Paraguai, o Ueno administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, entre eles fundos do Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pelo pagamento de aposentadorias, pensões e outros benefícios.

No Brasil, regimes próprios de previdência de Estados e municípios investiram cerca de R$ 1,8 bilhão em títulos emitidos pelo Master, segundo dados do Ministério da Previdência Social.

Os dois casos também levantaram questionamentos sobre as relações entre instituições financeiras e integrantes do poder público.

No Paraguai, o Banco Central apontou empréstimos considerados excessivos a empresas ligadas ao grupo controlador do Ueno. O presidente Santiago Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. O então presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo Spalding, também havia comandado o Ueno antes de assumir o cargo público.

No Brasil, o dono do Master, Daniel Vorcaro, construiu uma extensa rede de contatos com políticos, integrantes do governo e autoridades do Judiciário. Essas conexões passaram a ser examinadas no contexto das investigações sobre o banco. A existência de contatos, por si só, não significa que as autoridades citadas tenham cometido irregularidades.

A tentativa de venda do Master ao Banco de Brasília (BRB), instituição pública controlada pelo governo do Distrito Federal, também foi barrada pelo Banco Central em 2025, em meio a questionamentos sobre a operação.

Além disso, os dois casos tiveram desdobramentos na esfera criminal, com a prisão de dirigentes e pessoas ligadas ao controle das instituições.

No Brasil, Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso preventivamente em novembro de 2025. Após ser solto onze dias depois, voltou a ser detido em março de 2026, no âmbito das investigações sobre suspeitas de fraude financeira.

No Paraguai, o juiz responsável pelo caso Ueno determinou nesta quinta-feira (5/11) a prisão preventiva de seis ex-dirigentes e executivos do banco, entre eles Juan Manuel Gustale, ex-presidente da instituição, e Federico Miguel Vázquez Villasanti, fundador do Grupo Vázquez, controlador do banco. Outras duas ex-diretoras receberam prisão domiciliar.

Os investigados respondem a acusações que incluem abuso de confiança, tentativa de fraude e conduta indevida em situação de crise. As acusações ainda serão examinadas pela Justiça.

Apesar das semelhanças, há uma diferença importante no peso de cada instituição em seu sistema financeiro.

O Ueno acumulava cerca de US$ 3,75 bilhões em ativos e concentrava aproximadamente 9,1% dos depósitos do sistema bancário paraguaio. O Master, por sua vez, tinha R$ 86,8 bilhões em ativos, mas representava cerca de 0,55% das captações do sistema financeiro brasileiro.

A diferença também aparece no número de clientes — e na dimensão do impacto da crise. O Ueno chegou a quase 3 milhões de clientes em junho de 2026, o equivalente a cerca de 60% da população adulta do Paraguai.

Com a decisão do Banco Central Paraguaio de iniciar o processo de resolução da instituição, em 3 de novembro, os depósitos e as operações do banco foram congelados.

Clientes ficaram sem acesso às contas, aos cartões e ao dinheiro que mantinham na instituição. A medida provocou filas em agências e dificuldades para pagar despesas do dia a dia, como aluguel, compras e transporte.

Confira quatro pontos para entender a crise no Paraguai.

1. As origens do Ueno Bank
As origens do Ueno remontam a 1976, com a fundação da Financeira El Comercio.

Após 45 anos de atividade, a financeira foi adquirida pelo Grupo Vázquez, em abril de 2021. A operação recebeu autorização do Banco Central do Paraguai (BCP) em setembro daquele ano.

Dois anos depois, a instituição obteve autorização para se transformar no Ueno Bank e ingressar no sistema bancário paraguaio.

O banco recém-criado se consolidou em 2024, com a incorporação do Visión Banco. A operação acrescentou à sua carteira mais de 1 milhão de clientes, uma ampla rede de agências e uma das maiores bases de depósitos do sistema financeiro do Paraguai.

Vista aérea da sede do Ueno Bank, em Assunção. O edifício de fachada de vidro azul se destaca na paisagem urbana da capital paraguaia.
Crédito,Reuters
Legenda da foto,Sede do Ueno Bank em Assunção, no Paraguai
O Ueno Bank ainda é controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, um dos maiores conglomerados empresariais e industriais do Paraguai.

O grupo é presidido pelo empresário Federico Miguel Vázquez Villasanti, que se apresentou às autoridades judiciais na terça-feira, após a Promotoria ordenar sua prisão.

Entre os detidos estão também Juan Manuel Gustale, presidente do Ueno Bank; Julio Rey Fernández, vice-presidente; Mariana Torres Rubiani, diretora titular; e os integrantes do conselho de administração Diego Duarte Schussmuller e Alejandro Gómez Abente.

Também foram detidos Diana Leticia Mongelós González, segunda vice-presidente do banco, e Miguel Ángel Almada Frutos, executivo ligado à Ueno Seguros e ao Grupo Vázquez.

2. Os vínculos com o governo
Muitos críticos têm chamado a atenção para as ligações entre o Ueno Bank e setores do poder político, especialmente para a relação do presidente Santiago Peña com empresas vinculadas ao grupo controlador da instituição financeira.

Peña figurava como acionista da Ueno Holding, que reúne empresas como a Ueno Seguros, a itti e o Grupo Vázquez, principal acionista do Ueno Bank.

No início de 2025, o presidente paraguaio afirmou que havia deixado de ser acionista da holding e negou qualquer ligação com o banco.

“Eu fui investidor, sou economista, me especializei em Finanças e fiz um investimento há seis anos na empresa Credi Centro, que posteriormente se transformou na Ueno Holding. Nunca foi o banco Ueno. Não tenho nenhuma ligação com o banco Ueno”, declarou a um grupo de jornalistas em abril de 2025.

Muitos também questionam o papel de Carlos Carvallo Spalding, que apresentou sua renúncia à presidência do Banco Central do Paraguai em meio à controvérsia.

Antes de assumir o cargo, em agosto de 2023, Carvallo havia presidido a Financeira Ueno.

O economista Orkun Saka alerta que esse tipo de vínculo pode comprometer gravemente a credibilidade das instituições de um país, mesmo quando não há comprovação de irregularidades.

“A regulação depende da confiança da sociedade na imparcialidade de quem tem a responsabilidade de fiscalizar. Quando o presidente do Banco Central já dirigiu o banco que agora deve supervisionar e o presidente do país foi sócio dos proprietários da instituição, essa confiança se rompe. Nesse contexto, mesmo que as decisões tenham sido tecnicamente corretas, será difícil convencer as pessoas disso.”

Saka acrescenta que a perda de confiança pode ser uma das consequências mais graves e duradouras de uma crise financeira como essa.

3. Transformação rápida
O processo de transformação do Ueno em banco foi concluído em novembro de 2023, quando recebeu autorização do Banco Central do Paraguai (BCP), então presidido por Carlos Carvallo Spalding.

A aprovação ocorreu apenas três meses depois de Carvallo assumir o comando do órgão e de Santiago Peña chegar à Presidência do país.

A relação de confiança entre os dois ficou evidente em diferentes ocasiões. Uma delas foi durante a cerimônia de posse de Carvallo, quando o então ministro da Economia, Carlos Fernández Valdovinos, o elogiou publicamente e afirmou que ele “não é apenas uma boa pessoa e um bom profissional, mas, acima de tudo, um grande amigo”.

“Nem eu nem o presidente Peña poderíamos pensar em mãos melhores para assumir o comando do BCP daqui em diante e fazer tudo o que queremos e devemos fazer por todos os paraguaios nestes cinco anos”, acrescentou.

4. Transferência de fundos públicos
Pouco depois de entrar no mercado bancário, o Ueno Bank começou a captar depósitos de órgãos públicos.

Quando sofreu intervenção, o banco administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos. Entre eles estavam fundos do Instituto de Previdência Social (IPS), incluindo valores destinados a aposentadorias, pensões e outros benefícios sociais.

Para a oposição, os vínculos do banco com o poder público precisam ser investigados mais a fundo.

O senador oposicionista Rafael Filizzola classificou o caso como “a maior fraude da era democrática praticada a partir do poder político”.

“Trata-se de um banco criado a partir do poder político para usar dinheiro público em negócios privados ligados ao poder político, tendo o presidente da República à frente”, disse ele à rádio 1020 AM.

Filizzola também afirmou que o montante envolvido no caso pode chegar a “algo em torno de US$ 3 bilhões, pelo que sabemos”.

Enquanto isso, os clientes do Ueno Bank acompanham o caso com preocupação. Alguns foram às ruas protestar, enquanto aguardam informações sobre quando e quanto poderão recuperar de suas economias.

O Fundo de Garantia de Depósitos cobre até 228,3 milhões de guaranis (cerca de US$ 38 mil) por correntista.

As autoridades afirmaram que o primeiro pagamento, de até 121,7 milhões de guaranis, já começou a ser processado. Mas os clientes com depósitos acima desse valor ainda esperam saber quando e como poderão recuperar o restante do dinheiro.

Saka alerta que as consequências da crise podem se estender muito além das próximas semanas.

“A verdadeira prova não está no que acontecerá nos próximos dias, mas em como a crise será administrada nos próximos anos”, afirma.

“Se as medidas adotadas servirão para proteger os poupadores e os contribuintes ou se acabarão beneficiando, mais uma vez, aqueles que têm ligações com o poder.”

*Com colaboração de Iara Diniz, da BBC News Brasil em São Paulo.

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O que derrota de Trump nas eleições legislativas significa para a disputa da Presidência dos EUA em 2028

Votos da eleição de meio de mandato nos Estados Unidos ainda estão sendo contados, mas o cenário político já se volta para a corrida presidencial de 2028.

Impulsionados por vitórias significativas no Congresso, os democratas ganharam força enquanto se preparam para a disputa pela sucessão do presidente Donald Trump.

Mas um bom desempenho nas eleições de meio de mandato, as midterms, não garante a conquista da Casa Branca dois anos depois. O democrata Barack Obama foi reeleito em 2012, apesar de grandes vitórias republicanas em 2010.

Não há oficialmente candidatos para suceder Trump, mas nomes em potencial estão se preparando nos bastidores.

Declarações do vice-presidente JD Vance com reflexões sobre as derrotas dos republicanos nas midterms foram interpretadas como uma preparação para uma candidatura em 2028.

Os resultados da eleição da última terça-feira e a magnitude histórica dos ganhos democratas podem moldar a corrida pela Casa Branca de diversas maneiras. Aqui estão quatro pontos observados nas midterms que dão pistas sobre como poderá ser a próxima corrida presidencial americana.

1. Os grandes vencedores das midterms agora têm um impulso
Vários candidatos em potencial para a presidência concorreram nas midterms, e alguns deles se destacaram.

O senador democrata da Geórgia Jon Ossoff venceu com uma margem considerável no Estado, onde Trump ganhou em 2024.

Embora já tenha afirmado que não pretende se candidatar à presidência, sua campanha bem-sucedida, com diversas viralizações na internet, projetou Ossoff nacionalmente.

Outro potencial candidato democrata, o governador da Pensilvânia Josh Shapiro, derrotou com folga seu adversário republicano.

Shapiro não se comprometeu com uma candidatura em 2028, mas analistas apontam para sua ampla popularidade na Pensilvânia, um dos Estados-chave nas eleições, como um sinal de que ele poderia ser competitivo nacionalmente.

O governador de Illinois, JB Pritzker, também venceu após uma campanha que analistas de seu Estado descreveram como um “aquecimento” para uma candidatura presidencial.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, não pôde concorrer à reeleição nas eleições de meio de mandato, mas está interessado no resultado de uma iniciativa popular para taxar bilionários — contra a qual ele fez campanha por considerar que a mudança poderia afugentar os ricos e levar a perdas de arrecadação no Estado.

Pelo lado republicano, houve dois nomes com potencial para concorrer em 2028 no Arkansas.

O senador republicano Tom Cotton e a governadora Sarah Huckabee Sanders — ex-secretária de imprensa do governo Trump — conseguiram se manter no cargo por uma margem menor do que antes, ambos conquistando pouco mais da metade dos votos no Estado conservador.

2. JD Vance e aliados de Trump sob pressão
As pesquisas de boca de urna sugerem que a maré negativa para os republicanos se deveu em parte à raiva sentida pelos eleitores em relação às ações do governo Trump.

Isso pode representar um desafio para seus potenciais sucessores que fazem parte do gabinete presidencial, incluindo o vice-presidente, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio.

“A única pessoa que foi gravemente prejudicada por esta campanha eleitoral foi Vance”, analisa Karen Beckwith, professora de ciência política na Case Western Reserve University, em Ohio.

Vance já procurou se distanciar da derrota — e de uma aventura de política externa no Irã que foi politicamente desastrosa para o seu partido.

“O motivo da nossa derrota foi a guerra”, escreveu ele na rede social X.

Rubio negou os rumores de que estaria considerando deixar o cargo para concorrer à presidência em 2028.

Mas outros possíveis candidatos republicanos podem se beneficiar por não fazerem parte do governo. Alguns já vêm se posicionando sobre o que deu errado e quais são os próximos passos.

Numa longa publicação no X, o senador Ted Cruz, que não concorreu à reeleição este ano, afirmou que muitos políticos republicanos parecem “não se importar” com os problemas econômicos enfrentados pelos eleitores.

“Está escuro agora, mas sempre é mais escuro antes do amanhecer, e a manhã está chegando”, escreveu ele. “Essa é a minha oração fervorosa e esse é o meu compromisso com vocês.”

O governador da Flórida, Ron DeSantis, que abandonou sua candidatura presidencial em 2024 dias antes das primárias republicanas em que enfrentaria Trump, também se mostrou crítico. Ele destacou as vitórias de seu partido na Flórida como um sinal do que pode ser alcançado.

3. Democratas de esquerda e de centro de olho no futuro
Tanto a ala centrista quanto a ala de esquerda do Partido Democrata reivindicaram a vitória com os resultados das midterms, enquanto cada lado analisa seus possíveis candidatos para 2028.

Dezenas de pessoas já estão se mobilizando para 2028, disse Jim Messina, ex-conselheiro de Obama, à BBC.

A vitória de El-Sayed em Michigan foi um momento decisivo para os democratas de esquerda, pois ele triunfou em um Estado-pêndulo.

Seus apoiadores agora afirmam que sua vitória pode impulsionar candidatos de esquerda nas eleições de 2028.

“As antigas noções de elegibilidade ficaram para trás, e economistas populistas ousados, de fora do sistema, provaram que podem vencer em Estados decisivos”, disse Adam Green, cofundador do Comitê de Campanha para Mudanças Progressistas.

Green acrescenta que “o cenário está favorável” para candidatos como a representante democrata de Nova York Alexandria Ocasio-Cortez concorrerem nas primárias.

Democratas moderados também reivindicaram vitórias em todo o país. O “Blue Dog Caucus”, grupo de democratas moderados e conservadores, conquistaram pelo menos 14 cadeiras no Congresso, quase dobrando seu tamanho atual.

Isso levou muitos dentro desse segmento do partido a defender que candidatos de centro que se apresentam como pragmáticos e dispostos a trabalhar com conservadores poderiam atrair eleitores republicanos.

Dado o sucesso dos candidatos democratas que focaram em questões relacionadas ao custo de vida, é provável que uma abordagem que priorize a economia volte a ser um foco daqui a dois anos.

Amirah Siquierah, diretora de assuntos federais do Partido das Famílias Trabalhadoras, afirmou que os candidatos vitoriosos em 2028 combinarão o populismo econômico com novas preocupações, como com os data centers (grandes centros de processamento de dados que permitem o funcionamento da internet e de serviços digitais).

4. O eleitorado não pertence a ninguém
Gina Hinojosa, com as mãos juntas em agradecimento e sorrindo, recebe os aplausos em evento. Ela veste um terno branco e há uma bandeira do Texas atrás dela.
Crédito,Getty Images
Legenda da foto,O Texas tem uma nova governadora democrata, Gina Hinojosa
Ambos os partidos terão de lidar com um cenário político em transformação e uma coligação de apoio instável para 2028.

Regiões do país antes consideradas “seguras” para os republicanos não podem mais ser vistas como redutos conservadores.

O Texas agora conta com apenas um candidato republicano em nível estadual, o que significa que seus 40 votos no colégio eleitoral podem estar em disputa em 2028.

Christina Pascucci, analista política e ex-candidata ao Senado pela Califórnia, afirmou que as eleições de meio de mandato “desafiaram pressupostos políticos antigos” e mostraram que “nenhum dos partidos pode se dar ao luxo de considerar seus redutos tradicionais como garantidos”.

Isso vale tanto para democratas quanto para republicanos, que precisarão conquistar os eleitores indecisos, acrescenta Pascucci, diretora-executiva da consultoria Atlas Global.

“Nenhum dos partidos é dono desses eleitores”, resume.

Os eleitores latinos e da classe trabalhadora que apoiaram Trump deram um passo atrás, revertendo muitos dos ganhos que ele havia obtido com esses eleitorados em sua bem-sucedida campanha de 2024.

Driena Sixto, ex-porta-voz da organização Turning Point USA e comentarista política conservadora, diz à BBC acreditar que os republicanos terão que mudar sua mensagem para os eleitores latinos antes de 2028.

“Da última vez, a mensagem da campanha foi sobre comunidades seguras e o combate ao tráfico de pessoas”, disse ela.

“Depois que o presidente tomou posse, acho que muitas das mensagens da Casa Branca deram muita ênfase às deportações. Essa foi a causa da divisão.

BBC

Governo volta atrás e libera “Desenhos Bíblicos” para todas as idades

O Ministério da Justiça e Segurança Pública voltou atrás e mudou nesta 3ª feira (3.nov.2026) a classificação indicativa do programa “Record Kids – Desenhos Bíblicos”, exibido pela Record, de “12 anos” para “livre”. A decisão foi tomada pela Sedigi (Secretaria Nacional de Direitos Digitais), que reconheceu que a análise anterior não havia aplicado integralmente a metodologia do Guia Prático de Classificação Indicativa, editado em 2025.

A classificação de 12 anos havia sido atribuída em 28 de outubro. Em portaria, o ministério havia recomendado que a produção fosse exibida depois das 20h.

Segundo o Ministério, a revisão desta 3° feira (3. nov) considerou o contexto cultural e religioso das histórias retratadas na animação. O guia estabelece que conteúdos associados a rituais, tradições ou costumes de povos, religiões e comunidades específicas podem receber atenuantes na avaliação.

Outro eu só tô considerado foi o formato da produção. Segundo Ministério, a estética infantil da animação também deve ser levado em conta, já que o guia propõe até no antes para representações animadas e fantasiosas, especialmente em obras destinadas ao público infantil e infantojuvenil.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) chegou a apresentar nesta 3ª feira (3.nov) um projeto que busca revogar a portaria do ministério responsável por elevar a classificação da animação para 12 anos. O congressista questionou os critérios utilizados na avaliação e anunciou medidas para contestar a decisão.

Eis a íntegra da nota do Ministério da Justiça e Segurança Pública:

A Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) decidiu, de ofício, reformar a classificação indicativa de 12 anos, atribuída em 28 de outubro, ao programa Record Kids – Desenhos Bíblicos, exibido pela Record. A obra, composta de 36 episódios de animação que retratam passagens do Antigo e do Novo Testamento, fica com Classificação Livre.

A decisão parte do reconhecimento de que a análise anteriormente realizada pela Coordenação-Geral de Política de Classificação Indicativa não havia aplicado integralmente a metodologia do Guia Prático de Classificação Indicativa, editado em 2025. Os pontos centrais são o tratamento do contexto cultural e religioso e a aplicação dos atenuantes à obra em sua integralidade.

O Guia prevê atenuantes para conteúdos “claramente associados a rituais, tradições ou costumes de povos, religiões ou comunidades específicas”. Pesou também o fato de se tratar de um desenho animado feito para crianças, já que o Guia considera atenuante a representação por “animações com estética infantilizada, em vez de reproduções realistas de seres humanos”, e situa a violência fantasiosa “especialmente em obras voltadas ao público infantil ou infantojuvenil”.

O despacho da Sedigi registra que a transmissão das narrativas bíblicas às crianças por meio de animação destinada ao público infantojuvenil é uma forma de expressão cultural protegida pela Constituição e que incumbe à classificação indicativa aplicar-lhe o mesmo tratamento que aplica a todas as tradições culturais e religiosas. A decisão reafirma que a classificação indicativa não tem caráter de censura e consiste em informar às famílias, de forma objetiva, o conteúdo das obras, para que exerçam as decisões próprias do poder familiar.

A revisão foi feita no exercício do poder hierárquico e do dever de autotutela da Administração, previstos na Lei nº 9.784/1999. A decisão será publicada no Diário Oficial da União, e a emissora será formalmente cientificada.

Poder 360

Estação do Café: suas manhãs com muito mais sabor e carinho em cada detalhe! ☕

Para quem aprecia uma boa combinação de sabores, a Estação do Café tem opções que encantam! Que tal um delicioso bolo de chocolate com cobertura cremosa e morangos fresquinhos, acompanhado de um saboroso suco de morango?

Uma combinação irresistível para deixar seu dia mais gostoso e proporcionar aquele momento especial que merece ser apreciado.

Estação do Café – Meu café completo! ❤️

ALDEIAS ALTAS: MAIS DE 1 TONELADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS FORAM RETIRADAS DAS MARGENS DO RIACHO LIMPEZA

Quando as pessoas se unem por uma causa, grande as coisas acontecem!

Hoje foi mais uma demonstração de que, juntos somos capazes de transformar nossa realidade.

Quero agradecer de coração ao prefeito Kedson Lima, a vice-prefeita Patrícia Andrade, a coordenadora de juventude Glorinha, a chefe de gabinete Rebeca, ao Sérgio da junta militar e aos amigos Maciel, Cícero, Júnior, João Vicente, José Chiquinho, Tiago, Thiago Coutinho, bombeiro civil Thiago, Antônia, Joyce, Boizera, Jânio, Jean Loba e Pedro Tavares. Agradeço também ao Davi que apresentou o NUCA, e a todos os demais amigos, parceiro de representantes estiveram presentes e se fizeram representar.

Meu agradecimento especial também a toda equipe da biblioteca Vespasiano Ramos e a todos os servidores e colaboradores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que estiveram conosco, contribuindo com dedicação e disposição.

Hoje retiramos mais de uma tonelada de resíduos das margens tu Riacho Limpeza. Mas quero deixar um apelo à população: NÃO ADIANTA LIMPARMOS HOJE PARA ENCONTRARMOS O MESMO CENÁRIO AMANHÃ. Precisamos da colaboração de todos para manter esse espaço limpo.

O Riacho Limpeza é patrimônio da nossa cidade precisa ser preservado. Não jogue lixo nas margens, não transforme espaços públicos em depósitos de resíduos e faça sua parte.

Mais do que realizar mutirões, precisamos implementar uma nova cultura: a cultura do cuidado, da responsabilidade e do respeito ao meio ambiente.

UMA CIDADE LIMPA NÃO SE CONSTRÓI APENAS COM O TRABALHO DO PODER PÚBLICO, MAS TAMBÉM COM A CONSCIÊNCIA DE CADA CIDADÃO.

Muito obrigado a todos que fizeram parte dessa iniciativa!

Papai Noel dos Correios começa dia 11 no Maranhão; veja como adotar uma cartinha

A campanha Papai Noel dos Correios 2026 começa na próxima quarta-feira (11) no Maranhão. A partir dessa data, quem quiser participar poderá escolher uma cartinha e presentear uma criança em situação de vulnerabilidade social neste Natal.

O lançamento será às 10h, na praça de alimentação do Shopping do Automóvel Holandeses, no bairro do Calhau, em São Luís. A programação terá a apresentação de um coral formado por crianças atendidas pela campanha.

Como adotar uma cartinha
Escolha uma carta em um dos pontos oficiais ou pelo Blog Noel, dos Correios. Depois, providencie o presente pedido e entregue-o embalado e identificado com as informações da cartinha em um dos locais participantes.

São Luís – Casa do Papai Noel, na praça de alimentação do Shopping do Automóvel Holandeses.
Caxias, Imperatriz e Timon – agências dos Correios participantes.
Pela internet – Blog Noel, dos Correios.
Os Correios alertam que as cartinhas da campanha ficam disponíveis apenas nos canais oficiais e não são distribuídas nas residências.

Na 37ª edição, a campanha tem como meta garantir a adoção de todas as cartas cadastradas. Em 2025, foram adotadas 305 mil cartinhas em todo o país.

CNB