Justiça Eleitoral defere candidatura de Yuri Corrêa a deputado estadual pelo PSD

Decisão do TRE-MA reconhece o cumprimento dos requisitos legais e confirma o registro de candidatura para as Eleições 2026.

A Justiça Eleitoral deferiu o registro de candidatura de Yuri Brito Corrêa ao cargo de deputado estadual pelo Partido Social Democrático (PSD), nas Eleições 2026. A decisão foi proferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), em decisão monocrática assinada pelo juiz Luis Eduardo Franco Boueres, relator do processo.

De acordo com a decisão, o pedido de registro foi analisado após a publicação do edital, sem apresentação de impugnações ou notícias de inelegibilidade. Em 21 de agosto de 2026, a Secretaria Judiciária certificou que a documentação apresentada estava regularmente formalizada e que o candidato atendia aos requisitos previstos na Resolução TSE nº 23.609/2019, registrando também a manifestação tempestiva sobre o quesito de cor/raça.

Outro ponto considerado no processo foi o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP), que já havia sido julgado deferido pelo Tribunal. Após a análise dos autos, o relator destacou que Yuri Corrêa preenche todas as condições de elegibilidade constitucionais e legais e que não havia, no processo, notícia de inelegibilidade ou impedimento de ordem legal ou constitucional.

Diante disso, acompanhando o parecer da Procuradoria Regional Eleitoral Auxiliar, o magistrado DEFERIU o pedido de registro de candidatura de Yuri Brito Corrêa para concorrer ao cargo de deputado estadual pelo PSD, nas Eleições de 2026, sob o número 55155 e com o nome de urna “YURI CORREA”.

A decisão determina ainda sua publicação e o cumprimento das providências eleitorais cabíveis. Em Codó e região, o deferimento confirma oficialmente a candidatura de Yuri Corrêa para a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Maranhão nas eleições deste ano.

Salário mínimo pode subir para R$ 1.741 em 2027

O salário mínimo deverá subir para R$ 1.741 em 2027, segundo estimativa apresentada nesta segunda-feira (24) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. A previsão será incluída no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que o governo deve enviar ao Congresso Nacional até 31 de agosto.

Se confirmado, o novo valor representará um aumento de R$ 120, ou 7,4%, em relação ao salário mínimo atual, de R$ 1.621. A nova projeção também é R$ 24 maior que a estimativa de R$ 1.717 apresentada pelo governo na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), em abril.

O salário mínimo serve de referência para o cálculo de benefícios previdenciários e assistenciais. Por isso, o reajuste também aumenta as despesas do governo. Para trabalhadores e beneficiários que recebem o piso, um aumento acima da inflação representa ganho real no poder de compra.

Valor ainda pode mudar
Os R$ 1.741 são uma projeção e o valor definitivo será definido no fim de 2026. O cálculo depende do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro, indicador que mede a inflação para famílias com renda de até oito salários mínimos.

Pela regra atual, o reajuste considera a inflação medida pelo INPC mais um ganho real de 2,5%, respeitando os limites estabelecidos pela legislação.

Dessa forma, uma inflação diferente da estimada pelo governo poderá alterar o valor final do salário mínimo para 2027.

CNB

Vereador Ibrahim Neto destaca ações do Governo do Estado e declara apoio a Orleans Brandão, Fabiana Vilar e Francisco Nagib

Durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Codó, realizada nesta terça-feira (25), o vereador Ibrahim Neto ocupou a tribuna para comentar o início do período eleitoral, desejar sucesso aos candidatos apoiados pelos colegas parlamentares e apresentar os nomes que contam com seu apoio nas próximas eleições. Em seu pronunciamento, Ibrahim Neto destacou a disputa pelo Governo do Maranhão e afirmou que o trabalho realizado pela atual gestão estadual tem refletido na preferência do eleitorado codoense.

Segundo o vereador, Orleans Brandão aparece com mais de 50% das intenções de voto em pesquisas citadas por ele e teria se destacado no município pelo trabalho desenvolvido enquanto esteve à frente da Secretaria de Estado de Assuntos Municipalistas. “Hoje nós temos uma disputa fervorosa, principalmente entre Orleans Brandão e Braide. E, graças a Deus, hoje as pesquisas no município de Codó têm mostrado que o trabalho do governo do estado tem feito a diferença, que o trabalho tem mostrado o resultado e Orleans irá continuar”, declarou.

Ponte sobre o Rio Itapecuru

Entre os principais pontos destacados por Ibrahim Neto esteve a construção da nova ponte sobre o Rio Itapecuru, em Codó. O vereador atribuiu ao governador Carlos Brandão a iniciativa de viabilizar a obra e ressaltou a importância da estrutura para o município. Ibrahim Neto lembrou que a ponte utilizada atualmente pelos codoenses possui décadas de existência e destacou que a nova estrutura representa um importante investimento para a mobilidade e o desenvolvimento do município. De acordo com o vereador, Orleans Brandão também teria participado das articulações para viabilizar a obra junto ao prefeito Chiquinho FC.

Passaram-se vários governadores, e qual foi o que teve coragem de trazer a ponte para o município de Codó? Foi o governador Brandão. Então ninguém pode negar, ninguém pode apagar isso. Orleans, lá à frente da Secretaria, articulou junto ao prefeito Chiquinho FC, um prefeito aguerrido, que foi lutar para que viesse imediatamente essa ponte para o município de Codó”, declarou. O parlamentar afirmou ainda que a nova ponte está em fase de conclusão e deverá ser entregue à população.

Educação e investimentos sociais

Outro ponto abordado pelo vereador foi a área da educação. Ibrahim Neto destacou programas do Governo do Maranhão voltados aos estudantes, citando investimentos em tecnologia, tablets, notebooks e educação em tempo integral. Segundo o vereador, essas iniciativas contribuem para oferecer melhores condições para que os estudantes permaneçam nas escolas e tenham suporte durante o processo de aprendizagem. “Hoje, aquele estudante do turno matutino tem o lanche e o almoço; o do turno vespertino tem o almoço e o lanche; e o do turno noturno tem um jantar nas escolas”, afirmou.

Ibrahim também citou dados relacionados à redução da extrema pobreza no Maranhão e atribuiu parte dos resultados às políticas desenvolvidas pelo Governo do Estado. “Segundo a Fundação Getulio Vargas, mais de um milhão de maranhenses já saíram da linha da extrema pobreza. E isso tudo se deve ao trabalho do governador Carlos Brandão, junto com, na época, Orleans Brandão como secretário de Assuntos Municipalistas”, declarou.

Apoio a Fabiana Vilar e Francisco Nagib

Na sequência, Ibrahim Neto declarou apoio às candidaturas de Fabiana Vilar para deputada federal e Francisco Nagib para estadual. O vereador destacou ações que, segundo ele, já foram realizadas em Codó por meio da parceria com os parlamentares.

Também não poderia deixar de destacar a nossa deputada federal, candidata a deputada federal, Fabiana Vilar, que já é deputada do nosso estado, com muito trabalho, com muito investimento, com cuidado, confiança e propósito por todos os maranhenses”, afirmou. Poderemos trabalhar muito mais com ela como deputada federal, na nossa Câmara Federal, enviando emendas para serem investidas pelo prefeito Chiquinho FC no município de Codó. E o nosso deputado Francisco Nagib, também, o qual tem trabalhado. Mais de 70% das suas emendas são para a sua cidade, que é Codó”, afirmou.

Ibrahim Neto citou ainda investimentos realizados por Nagib e ressaltou a importância da parceria entre o deputado estadual e o prefeito Chiquinho FC para buscar soluções para as demandas do município. “Ele precisa estar lá na Assembleia para poder lutar pelas demandas de Codó e, com isso, o governo, o município se desenvolver e nossa cidade crescer cada dia mais. Então, estamos juntos com Orleans Brandão, Fabiana Vilar e Francisco Nagib, pois acreditamos que este time é o time para Codó continuar crescendo, continuar se desenvolvendo”, concluiu.

 

Eclipse parcial da Lua nesta quinta-feira será visto em todo o Brasil

BRASÍLIA – A partir das 23h34, hora de Brasília, desta quinta-feira (27), um eclipse parcial da Lua poderá ser visto em todo o território brasileiro. O ponto máximo será às 01h31, já na madrugada da sexta-feira (28), quando estará na fase mais obscura.

A astrônoma do Observatório Nacional Josina Oliveira do Nascimento disse que esse tipo de eclipse ocorre toda vez que a Lua entra na sombra da Terra, formada pela incidência do Sol.

“Sempre existe a sombra da Terra no espaço, porque o Sol está sempre iluminando a Terra, mas a Lua nem sempre entra nessa sombra”, explicou à Agência Brasil.

“A Lua vai entrar na sombra da Terra e tudo acontece por conta dessa questão da sombra. Todos os corpos que não são pontuais, recebendo uma fonte de iluminação, têm duas sombras. Uma mais clara, que a gente chama de penumbra, e uma mais escura, que é a umbra”.

“No ano que vem, vamos ter dois eclipses só penumbrais. A Lua vai passar só pela penumbra e vai sair”, adiantou Josina Oliveira.

Detalhes do formato

De acordo com a astrônoma, todos os eclipses ocorrem com Lua cheia e o formato depende do quanto ela vai entrar na sombra da Terra.

“Se o plano de órbita da Lua em torno da Terra fosse o mesmo do plano de órbita da Terra em torno do Sol, toda Lua cheia teria eclipse, mas acontece que não, porque a Lua faz um plano de órbita que é inclinado em 5 graus em relação ao outro”, explicou.

É preciso ter paciência

Para ter uma boa observação do fenômeno é preciso paciência. Segundo Josina Oliveira, ao entrar na penumbra, que é a sombra mais clara, ainda não é possível notar qualquer diferença no brilho da Lua.

“A gente sabe que ela está lá, porque às 22h24 vai entrar na penumbra, mas entre 22h24 e 23h34, que é a hora que ela vai começar a entrar na umbra, a gente vai olhar para a Lua e vai ver iluminada igualmente. Não dá para perceber nenhuma diferença olhando para ela. Agora, quando for 23h34, aí começa a perceber a diferença”, explicou, acrescentando que o estudo dos horários em que os eventos ocorrem se baseia unicamente nas posições do Sol, da Terra e da Lua.

“É isso que define a luminosidade. É a mesma coisa de quando a gente sabe exatamente a hora em que a Lua entrou na Lua cheia, no quarto minguante e no quarto crescente. Cada mês tem um horário diferente. O que a gente precisa para saber disso é a posição do Sol, da Terra e da Lua, porque o que a gente está vendo é consequência desse triângulo”, explicou.

Um pontinho preto

Segundo a astrônoma, durante o eclipse, primeiro se vê um pontinho preto, que vai evoluindo até a parte preta ficar em formato de uma “mordidinha”, o que significa que a Lua está entrando cada vez mais na umbra, que é a sombra escura.

“Quando ela estiver 96,2% tomada, vai começar a sair da umbra e tomar uma tonalidade avermelhada. Logo depois vai sair”.

Início às 23h34

Nesse fenômeno de agosto, a fase parcial levará 3h18. Vai começar às 23h34, o máximo vai ser às 1h13, já do dia 28, e o final do eclipse parcial vai ser às 2h52. Mesmo quem estiver em fuso diferente do horário de Brasília, subtrai a diferença e poderá observar o fenômeno no mesmo instante.

“Quem estiver no fuso de menos 4 horas, diminui 1 hora dos horários [previstos para os movimentos]. O instante é o mesmo, mas a hora no relógio é diferente”.

Olho nu

Ao contrário do eclipse solar, que para observar é preciso usar filtros, equipamentos especiais ou óculos próprios, esse parcial da Lua poderá ser visto a olho nu, e de qualquer lugar.

“No caso desse eclipse, o Brasil todo vai ver e com a Lua bem alta. A única coisa que vai fazer com que você não veja o eclipse é se chover ou ficar nublado”, apontou.

De acordo com o Observatório Nacional, o eclipse desta quinta-feira “pertence ao Saros 138, um ciclo de aproximadamente 18 anos que governa a recorrência de eclipses com características semelhantes”.

Admiração

Para a astrônoma, o fenômeno do eclipse envolve as pessoas por causa da admiração pelo céu, o que ajuda muito na divulgação e educação relacionadas a esses eventos.

“A gente tem muita ligação com escolas, projetos de educação de professores, de observação na praça e em várias cidades do Rio e do Brasil, o Ciência Cidadã, envolvendo as pessoas com a ciência através da astronomia, porque o céu é envolvente. Não conheço, em 47 anos de profissão, e nunca ouvi ninguém dizer que não gosta de olhar para o céu”, disse.

Transmissão

O eclipse parcial poderá ser acompanhado também pela live que o Observatório Nacional vai fazer no seu canal do YouTube a partir das 23h pelo horário de Brasília, em uma nova edição do programa O Céu em sua Casa: observação remota.

Segundo o Observatório, como ocorreu no eclipse solar no começo do mês, todos os veículos de comunicação poderão retransmitir gratuitamente a cobertura, mas precisam avisar antes pelo e-mail comunicacao@on.br.

Horários:

23h00: Início da transmissão ao vivo pelo YouTube do ON.

23h34 (27/ago): Início do eclipse parcial. A Lua toca a umbra.

01h13 (28/ago): Máximo do eclipse. Momento de maior obscurecimento (96,2%).

02h52 (28/ago): Fim da fase parcial, com a Lua deixando a umbra.

04h02 (28/ago): Fim do eclipse penumbral e encerramento da transmissão.

Detalhes

Antes do fenômeno desta quinta-feira (27 de agosto de 2026), o último eclipse lunar visível no Brasil ocorreu na noite de 17 de setembro de 2024 e pôde ser observado a olho nu em todo o território brasileiro onde as condições do céu permitiram.

A umbra é a sombra escura que não recebe nenhuma luminosidade do Sol. Já a penumbra é a sombra clara que ainda recebe luminosidade do Sol.

Quando a Lua entra na penumbra, temos o eclipse lunar penumbral e quando ela vai entrando na umbra temos o parcial. Já o total acontece quando ela está totalmente mergulhada na umbra.

(Com informações da Agência Brasil)

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Tudo isso em um espaço aconchegante, preparado sob medida para proporcionar conforto, boa convivência e uma experiência gastronômica que valoriza o seu paladar. O D’lla Grill é mais que um restaurante: é um convite para comer bem, se sentir bem e voltar sempre.

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Mappin, Mesbla, Americanas, Casas Bahia: por que os gigantes do varejo brasileiro quebram

Há uma espécie de maldição no varejo brasileiro: empresas que parecem grandes demais para quebrar podem desaparecer em poucos anos.

O consumidor que hoje vê uma marca espalhada por centenas de shoppings e ruas talvez não imagine que, em outra época, aquele nome também já foi sinônimo de poder.

Foi assim com Mappin, Mesbla, Lojas Brasileiras e Arapuã. Mais recentemente, a lista ganhou Americanas, Tok&Stok, Marisa e outras redes que passaram por recuperações judiciais ou extrajudiciais.

Agora, a crise chegou novamente a uma das marcas mais conhecidas do país.

A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas, depois de anos de resultados negativos, fechamento de lojas e dificuldade para gerar caixa.

O caso ajuda a entender uma característica peculiar do varejo: vender muito não significa necessariamente ganhar dinheiro.

E uma empresa pode estar crescendo, abrindo lojas e aumentando sua receita enquanto constrói, silenciosamente, as condições para uma futura crise.

O paradoxo: quanto maior, maior pode ser o tombo
O varejo tem uma característica que o diferencia de muitos outros negócios: trabalha com volumes enormes e margens relativamente estreitas.

Uma loja precisa comprar mercadorias antes de vendê-las. Precisa pagar aluguel, funcionários, energia, logística, tecnologia e publicidade. Muitas vezes, o consumidor paga parcelado, enquanto fornecedores e bancos precisam ser pagos antes.

Isso cria uma dependência permanente de capital de giro.

Imagine uma varejista que compra R$ 100 milhões em produtos. Se esses produtos demoram meses para chegar ao consumidor, o dinheiro fica parado no estoque. Para continuar funcionando, a empresa precisa financiar essa diferença.

É aí que entra o crédito.

Quando os juros estão baixos e os bancos estão dispostos a emprestar, o modelo parece funcionar. A empresa toma dinheiro, abre lojas, aumenta estoques, oferece parcelamento ao consumidor e vende mais.

Quando os juros sobem ou os bancos fecham a torneira, a mesma estrutura que ajudou a empresa a crescer passa a trabalhar contra ela.

Estudos da FGV mostram justamente a importância do crédito para a gestão de estoques e do capital de giro das empresas brasileiras.

O problema começa antes da falência
Uma empresa raramente quebra de uma hora para outra.

No varejo, o processo costuma ser mais parecido com uma sequência:

vendas desaceleram → estoque aumenta → descontos crescem → margem cai → caixa diminui → dívida aumenta → juros pesam → fornecedores ficam receosos → crédito desaparece → operação começa a travar.

Quando o consumidor percebe que a rede está fechando lojas ou atrasando entregas, muitas vezes a crise financeira já está avançada.

O fenômeno também pode acontecer mesmo quando a empresa ainda apresenta vendas relevantes.

É justamente por isso que analistas acompanham indicadores como geração de caixa, dívida, estoques e necessidade de capital de giro, e não apenas faturamento ou lucro contábil.

A armadilha do crescimento
Existe uma tentação permanente no varejo: crescer.

Abrir mais lojas significa ganhar presença, aumentar o poder de negociação com fornecedores e conquistar novos consumidores.

Mas cada nova unidade também acrescenta custos fixos.

O

problema aparece quando a empresa abre lojas mais rapidamente do que consegue gerar caixa.

Durante algum tempo, o crescimento mascara a fragilidade. Uma unidade nova ajuda a aumentar as vendas, que

ajudam a financiar a próxima unidade. O processo pode continuar por anos.

Até que o mercado muda.

Foi uma das fragilidades reveladas em diferentes episódios da história do varejo brasileiro: uma estrutura construída para crescer em determinado ambiente econômico pode se tornar pesada demais quando o ambiente muda.

Mappin: o símbolo de uma São Paulo que desapareceu
Poucas marcas representam tão bem essa transformação quanto o Mappin.

Fundada no fim do século 19, a rede se tornou uma das grandes referências do comércio de São Paulo. Seus endereços eram pontos de encontro e seus anúncios faziam parte da cultura da cidade.

Mas a empresa chegou aos anos 1990 em situação financeira delicada.

O Mappin acabou sob o controle do empresário Ricardo Mansur e entrou em uma trajetória de endividamento e deterioração financeira. Em julho de 1999, a Justiça decretou sua falência. Naquele momento, havia mais de 300 pedidos de falência contra a companhia.

A queda do Mappin foi particularmente simbólica porque aconteceu no momento em que o varejo brasileiro estava passando por uma transformação profunda.

O Plano Real havia acabado com a hiperinflação, mas também retirado das empresas um mecanismo que durante décadas ajudara a esconder problemas.

O fim da inflação revelou quem estava saudável
Durante a hiperinflação, administrar uma empresa brasileira era uma experiência completamente diferente.

Os preços subiam rapidamente e o dinheiro perdia valor todos os dias. Empresas que conseguiam comprar mercadorias hoje e vendê-las mais tarde podiam se beneficiar da valorização dos estoques.

A estabilização monetária mudou essa lógica.

Com o Plano Real, o consumidor passou a comparar preços com muito mais facilidade. A concorrência aumentou e as empresas tiveram de ganhar dinheiro com a própria operação, e não com os efeitos da inflação.

A FGV destaca que a abertura econômica, a estabilização da moeda e a entrada de grandes concorrentes estrangeiros aumentaram a competição e comprimiram as margens do varejo.

Para redes que haviam crescido em outro ambiente, a mudança foi brutal.

Mesbla: gigante que não conseguiu acompanhar a transformação
A Mesbla teve trajetória parecida.

A rede começou suas atividades no Brasil em 1912 e chegou a ser uma das maiores empresas de varejo do país. Durante décadas, suas lojas venderam praticamente de tudo: eletrodomésticos, ferramentas, roupas, produtos para casa e automóveis.

Nos anos 1980, a empresa acumulou problemas administrativos e financeiros. Na tentativa de se proteger da hiperinflação, passou a carregar grandes volumes de mercadorias.

Quando a inflação deixou de ser uma realidade cotidiana, porém, a estratégia perdeu sentido.

Os prejuízos ficaram mais visíveis. A empresa fechou lojas e cortou funcionários, mas não conseguiu recuperar sua saúde financeira.

A falência foi decretada em 1999.

A coincidência com o colapso do Mappin é reveladora: duas das marcas mais importantes do varejo brasileiro desapareceram praticamente ao mesmo tempo.

Lojas Brasileiras: outro gigante que ficou pelo caminho
Na mesma crise de 1999, outra marca tradicional também deixou o mercado.

As Lojas Brasileiras anunciaram o encerramento das atividades enquanto a

falência do Mappin era decretada.

Na época, o episódio foi tratado como uma das maiores crises já vividas pelo comércio brasileiro. A reportagem da Folha registrou que os consumidores deixariam de contar com duas das redes mais tradicionais do país.

A história se repetia: marcas fortes, grandes redes físicas e reconhecimento nacional não eram suficientes para garantir a sobrevivência.

Arapuã: crédito como motor e problema
Poucos casos ilustram melhor a relação entre varejo e crédito do que as Lojas Arapuã.

A rede foi uma das maiores varejistas brasileiras nas décadas de 1980 e 1990 especialmente no segmento de eletrodomésticos.

Seu modelo estava fortemente ligado ao financiamento das compras.

Esse tipo de estratégia pode ser extremamente poderoso quando o crédito cresce e o consumidor está disposto a parcelar.

Mas funciona na direção contrária quando as condições financeiras pioram.

A

Arapuã acabou entrando em recuperação judicial e teve a falência decretada pela Justiça em 2009.

É uma lição importante para entender a crise atual das Casas Bahia: no varejo de bens duráveis, vender e financiar a venda são atividades profundamente conectadas.

O Brasil moderno trouxe um novo problema: a internet
O varejo brasileiro também passou por uma segunda revolução.

A internet derrubou barreiras geográficas e mudou o comportamento do consumidor.

Antes, uma rede precisava estar presente fisicamente para vender. Agora, um consumidor pode comparar preços de dezenas de lojas em poucos minutos.

Marketplaces acrescentaram outra camada de competição.

Empresas que carregam milhares de imóveis, funcionários e estoques físicos passaram a competir com negócios capazes de operar com estruturas muito mais leves.

A pandemia acelerou essa mudança.

O consumidor migrou rapidamente para o comércio eletrônico, enquanto as lojas físicas ficaram fechadas. Depois da reabertura, o comportamento não voltou completamente ao padrão anterior.

E então vieram os juros
Se a transformação tecnológica já pressionava as varejistas, a política monetária tornou o ambiente ainda mais difícil.

A Selic saiu de 2% no fim de 2020 para 14% em 2026, segundo levantamento publicado pela Folha.

A diferença é gigantesca para um setor que depende tanto de financiamento.

Juro alto significa: Dívida mais cara; capital de giro mais caro; consumidor com menos capacidade de parcelamento e maior inadimplência.

O efeito é especialmente duro quando a empresa já chega à alta dos juros com uma dívida elevada.

O varejo sofre duas vezes
Esse é um dos motivos pelos quais o setor é tão vulnerável.

Quando os juros sobem, a empresa sofre e o consumidor sofre ao mesmo tempo.

A varejista paga mais para financiar sua operação. O consumidor paga mais para financiar sua compra. E os dois reduzem sua disposição de gastar.

É uma espécie de tesoura financeira. De um lado, a receita perde força. De outro, a despesa financeira aumenta.

A FGV já apontava que juros elevados e crédito caro pressionavam simultaneamente o consumo e o capital de giro do comércio.

O estoque pode virar um inimigo
Existe ainda um problema menos visível para quem está do lado de fora: mercadoria parada é dinheiro parado.

Uma varejista precisa ter produtos disponíveis para não perder vendas. Mas estoque demais consome caixa.

E existe uma dificuldade adicional: produto de moda, eletrônicos e móveis podem perder valor rapidamente.

Se uma televisão fica seis meses encalhada, provavelmente ainda poderá ser vendida.

Uma coleção de roupas de seis meses atrás talvez precise de desconto.

Quanto mais a empresa demora para vender, maior pode ser a necessidade de promoção.

E promoção reduz margem.

A equação então fica perversa:

estoque alto → desconto → margem menor → menos caixa → necessidade de mais crédito.

O Instituto para Desenvolvimento do Varejo também chama atenção para o problema dos estoques excessivos, que

imobilizam capital e reduzem a flexibilidade financeira das empresas.

A crise atual é maior do que uma empresa
É por isso que o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia merece ser analisado para

além da própria companhia.

Entre 2023 e 2026, grandes varejistas brasileiras reestruturaram mais de R$ 68 bilhões em dívidas, segundo levantamento publicado pela Folha.

A lista inclui empresas de segmentos diferentes: Americanas, Casas Bahia, Marabraz, Tok&Stok, Dia e Casa & Vídeo, entre outras.

O problema, portanto, não é simplesmente uma sucessão de administradores que erraram.

Há um componente estrutural.

Mas não é só culpa dos juros
Seria fácil colocar toda a responsabilidade na Selic. Seria também errado.

Os juros podem transformar uma empresa vulnerável em uma empresa insolvente, mas não necessariamente criam a vulnerabilidade.

Há casos de expansão excessiva, decisões ruins de investimento, estruturas administrativas pesadas, conflitos societários, problemas de governança, atraso tecnológico e estratégias comerciais equivocadas.

No caso das Casas Bahia, por exemplo, especialistas também apontaram conflitos familiares que teriam atrasado mudanças necessárias na companhia.

Na Americanas, o problema foi ainda mais grave: a crise revelou uma fraude contábil que levou a uma dívida de cerca de R$ 43 bilhões e desencadeou a recuperação judicial.

Ou seja: o ambiente econômico explica parte da história, mas não explica tudo.

A diferença entre crise e falência
Também é importante não colocar tudo no mesmo saco. Recuperação judicial não significa que uma empresa morreu. É

justamente uma tentativa de evitar a falência, dando tempo para que a companhia renegocie dívidas e reorganize sua operação.

A Casas Bahia, por exemplo, pretende continuar funcionando, reduzir custos, fechar lojas deficitárias e buscar novas fontes de financiamento. A companhia já fechou quase 300 unidades e demitiu cerca de 3.000 funcionários.

O problema é que o relógio financeiro não para. Uma varejista precisa pagar fornecedores, manter estoques e continuar atraindo clientes enquanto negocia bilhões de reais em dívidas.

É uma operação de alto risco.

Quando a crise vira um círculo vicioso
Existe ainda um ponto particularmente cruel no varejo.

Uma empresa em dificuldade precisa de fornecedores para continuar vendendo.

Mas o fornecedor também acompanha a situação financeira do cliente.

Se teme que não receberá, pode reduzir prazos, exigir pagamento antecipado ou simplesmente parar de entregar.

Foi o que começou a acontecer com empresas em recuperação: a desconfiança dos fornecedores pode provocar ruptura de estoques, cancelamentos de pedidos e queda adicional das vendas.

O

Grupo Toky, dono de Tok&Stok e Mobly, registrou exatamente esse efeito após entrar em recuperação judicial: a desconfiança de fornecedores contribuiu para problemas de abastecimento e cancelamentos de

pedidos.

É o equivalente empresarial de uma corrida bancária: a percepção de que uma empresa pode quebrar pode ajudar a produzir as condições para que ela quebre.

O curioso caso do varejo brasileiro
Talvez a melhor maneira de entender a fragilidade do setor seja olhar para a história.

Mappin. Mesbla. Lojas Brasileiras. Arapuã. Americanas. Tok&Stok. Casas Bahia.

São empresas de épocas diferentes, modelos diferentes e problemas diferentes.

Não existe uma única explicação.

Mas há um fio comum: o varejo trabalha com pouco espaço para erro financeiro.

A empresa precisa acertar preço, estoque, localização, crédito, logística, tecnologia, marketing e comportamento do consumidor ao mesmo tempo.

Se errar em um deles, talvez sobreviva.

Se errar em vários, um deles, talvez sobreviva.

Se errar em vários simultaneamente, a conta chega rapidamente.

O varejo brasileiro não está condenado a quebrar
Há uma conclusão mais interessante do que simplesmente dizer que o setor é problemático.

Grandes varejistas também conseguem sobreviver e se reinventar.

O desafio é abandonar uma ideia antiga de que tamanho é sinônimo de força.

Uma rede com mil lojas pode ser menos saudável que uma concorrente com 200 se suas unidades forem deficitárias, sua dívida

for elevada e seu estoque estiver mal administrado.

O varejo do futuro tende a ser menos obcecado por faturamento e mais preocupado com margem, caixa, produtividade por loja, giro de estoque e retorno sobre o capital investido.

Veja

DIREITO E SAÚDE | Agora é Lei! Tratamento Fora Domicílio (TFD) Parte I

 com Dr. Suelson Sales

Para quem precisa de um atendimento médico especializado que não existe na própria cidade, conseguir o tratamento é apenas o primeiro passo. O maior desafio costuma ser conseguir dinheiro para viajar, comer e se hospedar na cidade onde o atendimento será realizado.

A Lei nº 15.390/2026 fortalece o Tratamento Fora do Domicílio (TFD), transformando em regra nacional o apoio financeiro a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que precisam se deslocar.

O que é a Ajuda de Custo do TFD: A ajuda de custo não é um benefício financeiro comum: ela garante o transporte, a alimentação e a hospedagem de quem precisa se tratar fora da sua cidade. O objetivo é eliminar as barreiras financeiras que impedem o paciente de acessar o serviço público de saúde.

Quem Tem Direito e Como Funciona: (a) Somente para pacientes atendidos na rede própria ou conveniada do SUS; (b) É preciso ter indicação médica, autorização da gestão de saúde local e a confirmação do agendamento no município de destino. (c) O benefício só é liberado se todos os recursos de tratamento da cidade do paciente já tiverem sido esgotados e; (d) A ajuda de custo pode ser estendida a um acompanhante quando solicitado, sendo vital para crianças, idosos, pessoas com deficiência ou pacientes com mobilidade reduzida.

A nova lei não cria o TFD do zero, mas traz mais segurança jurídica e transparência ao transformar o tema em uma lei federal clara. A garantia do acesso à saúde vai além do consultório médico: ela inclui o direito de conseguir chegar até o local do atendimento.